Operação Backbone da PF mira monopólio da internet do Comando Vermelho no Rio
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Imagem: oglobo.globo.com, via imagem de destaque da reportagem.
A Polícia Federal prendeu a mãe e o irmão do rapper Oruam e um vereador do Rio de Janeiro em 19 de outubro de 2026. As prisões ocorreram durante a Operação Backbone, que investiga o domínio criminoso sobre o fornecimento de internet em comunidades. A ação cumpriu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, além de determinar o bloqueio de R$ 558 milhões em bens de 40 pessoas e 42 empresas.
A investigação aponta que uma estrutura ligada ao Comando Vermelho impunha um monopólio à força. Integrantes armados da facção cortavam cabos e ateavam fogo a caixas de distribuição de operadoras concorrentes. Eles também impediam a realização de reparos, deixando moradores e comerciantes sem alternativa a não ser contratar os serviços vinculados ao grupo.
Os provedores autorizados a operar nas áreas controladas pagavam uma taxa mensal ao CV. Documentos da própria facção mostram que, em um mês, essa cobrança representou mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha. Para a PF, a exploração do serviço se tornou uma das atividades mais rentáveis da organização criminosa.
A rentabilidade do esquema, segundo a Polícia Federal, alimenta disputas violentas por território. Cada nova comunidade dominada significa uma nova base de clientes obrigados a contratar a “internet do tráfico”. A operação faz parte da força-tarefa Missão Redentor 2, criada para combater facções no estado do Rio conforme diretrizes do STF estabelecidas no julgamento da ADPF das Favelas.
A Agência Nacional de Telecomunicações será acionada para cassar as autorizações dos provedores envolvidos. A PF informou que tomará providências para que os moradores das áreas afetadas não fiquem sem conexão. Os investigados podem responder por crimes como domínio social estruturado, extorsão majorada, atentado contra serviço de utilidade pública e lavagem de dinheiro.
Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, presa na operação, é casada com Marcinho VP, apontado como um dos principais chefes do Comando Vermelho e preso há quase três décadas. Ela e o filho, Lucas Santos Nepomuceno, já haviam sido alvos de uma investigação sobre lavagem de dinheiro da facção em abril de 2026. Na denúncia daquele processo, o Ministério Público descreve Lucas como um gestor financeiro secundário da família, responsável por repassar ordens e administrar recursos; ele nega as acusações.
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